Porto ‘menos’ Alegre: uma cidade sem Carnaval de Rua, sem incentivo e sem folia

Mais um ano se passa e Porto Alegre segue sem um Carnaval de Rua à altura da maior festa popular do mundo. A Prefeitura insiste em um modelo desorganizado e sem incentivo real aos blocos de rua, transformando o feriado em um período apático para quem fica na cidade. O resultado? Ruas sem folia, desfiles esvaziados e um público cada vez mais desmotivado.

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa publicou um edital para a seleção de propostas de Blocos que se mostrou um verdadeiro fracasso. Com apenas seis inscritos e três habilitados, a iniciativa escancara a falta de diálogo e apoio ao Carnaval de rua da capital. E o pior: os desfiles patrocinados pela Prefeitura não ocorrerão durante o feriado de Carnaval, mas apenas após a festa ter passado, prejudicando ainda mais a adesão do público e a visibilidade dos blocos.

Enquanto isso, quem fica em Porto Alegre no feriado de Carnaval tem poucas opções. A resistência vem dos blocos independentes, que, apesar dos entraves burocráticos e da falta de incentivo, ainda tentam manter viva a festa. O BLOCO DAS PRETAS, por exemplo, sairá no dia 1º de março na Orla do Guaíba.

A repressão ao Carnaval de rua também se reflete na organização do CarnaLopo, tradicional evento da Cidade Baixa. Segundo Clauciane Santos, sócia do Povoada Gastrobar e uma das organizadoras da festa, o pedido de alvará foi protocolado há 90 dias e, até agora, nenhuma resposta foi dada pela Prefeitura. O descaso é tamanho que há desconfiança de que a liberação sequer virá a tempo do evento. Diante dessa situação, os organizadores lançaram um abaixo-assinado para mobilizar a população.

O que se vê é um cenário de descaso e desprezo pelo Carnaval de Rua de Porto Alegre. Ao invés de fomentar uma festa que movimenta a economia, gera empregos e fortalece a cultura popular, a Prefeitura impõe barreiras e dificulta a realização dos eventos. Enquanto outras capitais brilham com suas festas de rua, Porto Alegre segue vivendo um Carnaval sem brilho, sem apoio e sem perspectiva de mudança.